Anuncio

O trágico dia 10 de setembro de 1984

set 10th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Diversos

dsc_0211Luiz Carlos Galdino, o Pantera, havia completado 25 anos no dia 7 de setembro de 1984. Extrovertido, tinha facilidade de fazer amizades. Nos fins de semana gostava de sair com a “turma” para se divertir. Para comemorar o aniversário, fez um churrasco e os amigos, que não eram poucos, marcaram presença. No sábado, jogou futebol e passou a noite se divertindo num baile. No domingo, acordou tarde, almoçou com a família e depois saiu com uns colegas. A festa só não foi noite adentro porque na segunda-feira era dia de baixar a mina.

No dia 10 de setembro, por volta das 5h10min, Pantera provavelmente ainda lembrando das festas do feriadão encarava mais uma jornada no subsolo do Painel Seis da mina de carvão da Companhia Carbonífera Urussanga (CCU) quando a explosão aconteceu. Ele e outros 30 mineiros que estavam no local e imediações morreram.

A causa da explosão, apesar da versão oficial de acúmulo de gás metano, continua sendo uma incógnita, embora o maior desastre da mineração de carvão do país continua vivo na memória dos urussanguenses, especialmente daqueles que tiveram uma ligação próxima com o fato.

Hoje, quinta-feira, 10 de setembro de 2009, o Jornal Vanguarda marca os 25 anos da tragédia, contando um pouco da história de alguns personagens que vivenciaram aquele trágico acontecimento.

Os pais de Pantera, Pedro Galdino, 72 e Irene de Souza Galdino, 69 anos, tentam superar a perda, mas ainda se emocionam ao lembrar dos últimos momentos em companhia do filho. “No dia 7, ele disse que ia comprar umas cervejas e assar uma carne para os amigos e comemorar seus 25 anos. Meu filho estava muito contente porque resolveu fazer o churrasco na última hora e não havia convidado ninguém, mas quando souberam, a casa ficou pequena, pois ele era muito querido pelas pessoas”, diz dona Irene.

Mineiro aposentado, seu Pedro fala que não gostava de ver o filho baixando a mina. “Ele tinha um bom emprego numa cerâmica em Cocal do Sul, mas resolveu trabalhar na mina por causa de futebol. Eu não concordei com a decisão dele, mas ele quis assim. O acidente foi uma fatalidade. Aconteceu porque iria acontecer um dia, pois ninguém ligava muito para a segurança nas galerias. Se alguém tivesse verificado a presença de gás, eles não teriam morrido”, afirma.

Do momento da explosão até encontrarem o corpo foram 72 horas de angústia. “No começo havia um fio de esperança, mas depois, só a certeza da dor”, fala a mãe do mineiro.

Abalada com a perda, dona Irene ficava boa parte do tempo com as roupas e objetos pessoais do filho nas mãos. “Eu cheirava as camisas dele e a cama onde dormia na tentativa de compensar a falta. Também sonhava com ele quase todas as noites. Nos sonhos ele sempre estava sorrindo e parecia feliz. Até que em um deles, me disse que estava muito bem onde estava e que não era mais eu ficar lamentado a sua morte. Desde então nunca mais sonhei com ele”, relata.
Ele também estava no subsolo na hora da explosão

O mineiro aposentado João Batista Delponte Pereira sentiu na pele as proporções da explosão. Ele trabalhava como furador de frente e estava num grupo que se dirigia para o painel cinco, numa galeria próxima ao painel seis. “Na hora do acidente faltou energia elétrica e ficamos totalmente no escuro. Não sabíamos ao certo o que estava acontecendo, mas devido ao forte cheiro que vinha na direção da mestre (galeria central) sabíamos que era algo grave. Do nosso grupo, três acabaram se perdendo e indo na direção do acidente. O Salésio, que era nosso encarregado, mais dois companheiros nossos que possuíam lanternas, saíram à procura dos dois. Num determinado ponto, eles ouviram o pedido de socorro e então conseguiram localizá-los. Levamos mais de meia hora para encontrarmos uma saída alternativa, pois pela principal o acúmulo de fumaça e de gases tóxicos impedia qualquer tentativa”, relembra Pereira.

Foi só quando o grupo conseguiu deixar o subsolo que os mineiros tiveram uma noção mais exata do que havia acontecido.
“Quando conseguimos chegar mais perto do local do acidente, vimos ferros retorcidos e latões metálicos de 200 litros transformados num pequeno monte de lata amassada”, relata. O furador conta que ficou feliz por chegar vivo à superfície e ao mesmo tempo triste com a perda dos amigos de subsolo.

Deixe um comentário