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Casa de Ivanir Cancellier

jul 31st, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial

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Construída pelos imigrantes Feliche Cancellier e Feliche Dinão, a residência da família está de pé há um século, e chama atenção pela beleza às margens da SC 446, na localidade de Rio Maior. Ainda hoje, o neto do primeiro proprietário, sua esposa e neto ainda residem no local…
Casa da família Cancellier

DADOS TÉCNICOS:
* Ano de construção: 1909
* Endereço: Estrada Geral Rio Maior, SC 446
* 1° Proprietário: Feliche de Lorenzi Cancelier
* Estilo: Colonial
* Características: edificação rural térrea com planta retangular tradicional e com sótão. Possui cobertura em duas águas, sendo estrutura de madeira e telhas de barro, com cumeeira paralela à fachada principal e beiral com cimalha em cantaria (pedra). Os requadros das aberturas externas também possuem cantaria de pedra arenito. A porta principal da casa possui cantaria de pedra com verga reta e sobrecarga triangular com fecho tradicional.
* Sistema construtivo: alvenaria autoportante, com tijolos de barro maciço, rebocada com cal sobre alicerce de pedra aparente.
* Uso inicial: residencial
* Uso atual: residencial
Construção levou dez anos para ficar pronta

À beira da SC 446, na localidade de Rio Maior, a casa do urussanguense Ivanir Cancellier resiste bravamente à ação do tempo. Inaugurada em 1909, mantém-se de pé mostrando toda sua beleza e pequenas particularidades de uma edificação construída há tanto tempo atrás. Ivanir, que tem 72 anos e sempre residiu no local, lembra das histórias contadas pelos pais e avós de um tempo que não existiam automóveis, nem ao menos boas estradas. “Nós só víamos carros de boi e mulas passando por aí. Não tinha mais nada”, diz ele.

A construção da casa levou 10 anos para ser finalizada. As pedras da base e das aberturas foram cortadas e carregadas uma a uma pelos pedreiros e seus camaradas. “Quem fez nossa casa foram meus dois avôs, Feliche Dinão e Feliche Cancellier. Eles eram considerados ótimos pedreiros, pois onde eles moravam na Itália havia uma grande quantidade de pedras”, explica Ivanir. Ao mesmo tempo em que edificavam a casa da família, construíam outras sete. “Por isso levaram tanto tempo pra deixar pronta. Em uma década meus avôs, junto com oito ajudantes levantaram oito casas, a maioria à base de pedras”, diz.

As paredes da residência dos Cancellier têm cerca de 50 centímetros e são feitas de tijolos maciços com aproximadamente 30 centímetros cada. A base a as aberturas são feitas com pedras rebolo, e a edificação rebocada com areia e cal. As portas, janelas, assoalho e forro, embasadas com madeiras nobres, resistentes ao tempo e demais adversidades. “Os pedreiros só utilizaram peroba, canela, cedro e louro, madeiras boas e que dificilmente estragam. Eram cortadas à mão, uma a uma”, fala Ivanir.

Uma peculiaridade da construção é que o telhado é bastante pontudo, característica da época e dos moradores daquela região da Itália de onde vieram os imigrantes do Rio Maior. “Era costume fazer as casas assim altas porque lá na Itália caía muita neve. Com medo de que o gelo pesasse demais e a casa desabasse, eles faziam ela bem pontiaguda, para que a neve descesse pelas telhas. Como não conheciam a nossa região, tentando prevenir a queda por causa do peso do gelo, fizeram a morada neste mesmo estilo: com paredes e madeiras bem reforçadas e um telhado bastante alto”, garante o neto do imigrante.

No total, a residência tem em média 75 mil tijolos e toneladas de pedras rebolo. Funciona como uma “casa térmica”. No verão, todos os cômodos ficam fresquinhos, com uma leve brisa refrescante. Já durante o inverno, quando as aberturas são fechadas, a casa fica mais quente, deixando o frio do lado de fora.

Muita festa e coisas boas já aconteceram no local. Ivanir lembra exatamente os detalhes das grandes comemorações de matrimônios feitos na casa, e em como a diversão se fazia presente nestes eventos festivos. “Quando havia um casamento, a festa iniciava ao meio-dia e só acabava no outro dia pela manhã. Todo mundo era convidado, os parentes, vizinhos, conhecidos, e ficavam na sala dançando e cantando até altas horas. No almoço, era servida muita carne ensopada na caldeira, arroz e macarrão caseiro. Já durante a tarde, até a manhã do dia seguinte, havia bolo, café, cavaquinho e pão para os convidados. Também tinha cachaça e vinho à vontade, o pessoal bebia até não poder mais”, lembra ele.

Ao redor da residência, plantações de mandioca, milho, feijão, trigo, batata, verduras e arroz satisfaziam as necessidades da família. Além disso, haviam as criações de porcos, bois e galinhas. Devido a isto, os Cancellier tinham tudo o que precisavam, e raramente gastavam nos armazéns que existiam na época. “Quando queríamos comer alguma coisa, era só ir no quintal e colher”, lembra ele.

A residência hoje permanece de pé, às margens da SC, e continua chamando a atenção pela beleza e singularidade. A simplicidade, misturada ao charme centenário da edificação são marcas particulares da morada da família Cancellier. “Minha casa abriga muitas histórias, que eu lembro como se tivessem acontecido hoje”, fala, em tom nostálgico, o neto do imigrante Feliche, Ivanir Cancellier.

4 comentários
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  1. casa de ivanir cancelier,que vivi trinta e tres anos perto desta , (boa istoria) lembro ,que ao cair da tarde
    a mâe de ivanir e filhos cantavan musicas italianas ate anoiteser ,nunca venderan um pedaso

    de terra ,sempre viveran do sustento dèla , nunca trabalharan como empregados .
    èsta casa fica cada ves mais istorica… (por walmi giordani) (pico)…

  2. Meu avô chamava-se Jiosepe de Lorenzi Cancelier e pelo o que a mãe conta ele morou neste lugar. O nome do pai dele, meu bisavô, era Giacomo, talvez sejamos parentes desses contrutores.

  3. É a casa do meu avô. Adoro ir ai nas férias ^^

  4. Estava passeando, indo pra Serra do Rio do Rastro com meu esposo e sobrinhos que moram em Torres quando vimos esta casa. Na hora não deu para fotografar, como é de costume fazermos com tudo que achamos interessante. Na volta do passeio, vim com máquina em punho procurando a casinha interessante. Quando nem tinha mais esperança de fotografar, pois já era tarde e estava escurecendo, avistei a casa, para minha surpresa, bem iluminada. Passamos direto mas resolvemos voltar.Tiramos uma foto linda que pretendo fazer um quadro. Quando chegamos em casa, resolvi pesquisar na Internet para ver se achava alguma coisa sobre a casinha interessante e aqui estou mandando esta mensagem. Espero que possam conservá-la assim por muito, muito tempo.

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