Rococó
jul 2nd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunas, Eduardo TascaNo início do século XVIII surge na França o Rococó, mas foi no Sul da Alemanha e na Áustria onde este estilo mais se desenvolveu. A denominação deriva-se do francês rocaille, que significa concha e era um artifício caprichosamente utilizado de forma estilizada pelos ornamentistas e decoradores. O Rococó foi o natural desenvolvimento do Barroco. Enquanto o Barroco caracteriza-se pela energia, exacerbação das formas com realismo de inspiração popular, ilustrando os interesses da burguesia, o Rococó constrói em cenário marcado pelo decorativismo, delicadeza, elegância, fantasia e temas mundanos, que representavam a aristocracia palaciana em que havia se transformado a nobreza feudal.
O Rococó, em cada país ou região, representa as características locais. Era pessoal, individual, intransferível e independente dos conceitos em vigência.
A decoração e as obras Rococó possuem uma alegria carregada e uma refinada artificialidade dos detalhes, não se comparando com a dramaticidade pesada e a religiosidade do Barroco. O Rococó comemora a alegria de viver com uma pitada de exagero, o que se reflete, inclusive, em obras sacras, onde os anjinhos rechonchudos representam o amor de Deus pelo homem. A leveza inspira-se na despreocupada vida nas grandes cortes de Paris ou Viena. Chegou ao nosso país, principalmente no mobiliário, sob o nome de D. João V. Inicialmente o termo Rococó foi associado às artes decorativas, sendo também utilizado para designar a arquitetura, a pintura e a escultura do período.
Na pintura utiliza como temática, sobretudo, os jardins, as paisagens de sonho, festas e reuniões palacianas, as “Vênus” e “Ninfas”, assim como as cenas bíblicas, que também são construídas de forma aristocratizada. Os tons rosa, azuis, lilases e verdes são orquestrados através de pinceladas rápidas, leves e curtas. Da delicadeza do desenho decorativo surgem cores luminosas. A mulher toma o centro das obras dos pintores, onde exibem docemente os encantos da nudez. Existe a veneração ao corpo feminino, que é retratado com formas arredondadas, vulnerável e com inocência própria. A técnica do pastel foi largamente utilizada. O pastel é um giz colorido, feito a partir de terra moída. É pastoso e aderente, existindo, também, pastéis mais duros, utilizados para acentuar partes do desenho. Esta técnica virou moda no século XVIII, especialmente para a feitura de retratos. Quase todos os grandes pintores do estilo Rococó foram pastelistas: Watteau, Boucher, Fragonard, Chardin, Giovanni Tiepolo e tantos outros que também se utilizaram de elementos desta escola.
REPOUSO DE DIANA APÓS O BANHO, 1742
François Boucher
Óleo s/tela, 57 x 73 cm
Museu do Louvre, Paris

