Casa de Rosalino Damiani
jul 2nd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Especial
Construída e inaugurada no ano de 1929, a casa teve como primeiro proprietário Rosalino Damiani, um dos nomes políticos mais influentes que Urussanga já teve. Ele, a esposa Henriqueta e os quatro filhos viveram na edificação até a década de 40, além de manter, na parte de baixo da residência, uma loja de secos e molhados.
DADOS TÉCNICOS
Casa da família Damiani
* Ano de construção: 1929
* Endereço: Praça Anita Garibaldi, n°17
* 1° proprietário: Gialdino Rosalino Pilo Damiani
* Estilo: sobrado com influências do estilo Ítalo-Brasileiro
* Características: sobrado de pequeno porte que ocupa posição de destaque em uma das esquinas da praça. Possui térreo mais sótão, numa alusão ao sobrado ítalo-brasileiro, com pequenas aberturas superiores nas laterais. A fachada frontal sofreu alterações, tendo suas aberturas modificadas para adaptar-se ao uso. Com simplicidade e sobriedade esta fachada possui platibanda em desníveis coroada com um arco abatido, dando destaque para a abertura que compõe o desenho da platibanda. Cobertura em duas águas com estrutura de madeira recobertas com telhas de barro.
* Sistema construtivo: paredes construídas de alvenaria autoportante, com tijolo maciço de barro assentado em argamassa de argila e revestido com reboco de cal.
* Uso inicial: residência e comércio
* Uso atual: Bar Urussanga
Casa serviu como centro político da região
A série sobre as casas tombadas do Vanguarda continua esta semana, e apresenta a você, leitor, a edificação que foi da família de Gialdino Rosalino Pino Damiani, inaugurada no ano de 1929. Localizada na Praça Anita Garibaldi, a residência foi construída com a finalidade de abrigar a loja de secos e molhados da família. “Ali meu pai vendia tudo. Tecido, roupas prontas, alimentos, bebidas e até medicamentos para o médico italiano que trabalhava aqui, o doutor Giaconi”, fala a filha de Rosalino, Luci Damiani.
O comércio ficava na parte de baixo da casa, dividindo espaço com a cozinha utilizada pela família. Na parte de cima, portanto, ficavam os quartos e sala. O dono da edificação era casado com Henriqueta Feltrin, e o casal tinha quatro filhos, Lady, Lordy, Atílio e Luci. Moraram no local até a década de 40, exatamente no mesmo período que o armazém foi fechado.
A casa tem um pequeno porte, mas fica bem localizada na Praça Anita Garibaldi. Todas as paredes foram feitas com argamassa de argila, reboco de cal e tijolos maciços de barro. Segundo a nora de Rosalino, Inês Gema Dal Bó Damiani, o modelo da construção foi feito pelo próprio pedreiro. “Eles não tinham planta, nem nada. Desenharam mais ou menos como queriam que fosse, e começaram a fazer”, conta ela.
Ao mesmo tempo em que mantinha o armazém, Rosalino também possuía uma bomba de gasolina no centro do município. “Eu me lembro bem disso. Além dele, o Silvio Trento e o Antonio Bez Batti também eram donos de uma bomba dessas, e elas eram tocadas à manivela. Mesmo que poucas pessoas tivessem carro, naquela época já existia combustível na cidade”, lembra o urussanguense Adão Bettiol.
Rosalino tornou-se, aos poucos, um político muito influente na cidade. Foi vereador, e o primeiro presidente da Câmara de Vereadores Municipal. Eleito pelo Partido Social Democrata (PSD), o homem era muito conhecido na cidade, e também fora dela. Quando preciso, sua casa era palco para importantes reuniões do partido, além de hospedar grandes nomes da política brasileira. “O ex-presidente Nereu Ramos e o ex-governador Celso Ramos são dois exemplos das pessoas que ficaram em nossa residência. Fazíamos café, almoço, preparávamos o quarto para eles, e quando precisavam vir a Urussanga, ficavam novamente em nossa casa”, lembra Luci.
Além disso, ele também foi diretor da Rádio Marconi e presidente da Sociedade Recreativa Urussanga, além de estar envolvido diretamente com a Igreja Católica. “Meu pai também era Procurador das Professoras, ou seja, ele recebia o dinheiro do Estado e repassava a elas mensalmente. Muitas vezes o pagamento atrasava, e o Banco Inco, o único que tinha na cidade, pedia emprestado a ele”, explica Luci.
Os pais de Rosalino, Jacinto Damiani e Maria de Brida faleceram antes do menino completar quatro anos de idade. Ele, então, foi criado pelos tios. Não tinha posses, era pobre, e possuía apenas o sonho de vencer na vida. Começou do nada, casou-se com Henriqueta e iniciaram um caminho de lutas e conquistas. “Ela veio de uma família tradicional, e que tinha muitos bens, mas nunca reclamou de levar uma vida pobre ao lado do esposo. A única coisa que pedia é que os filhos estudassem, para ter um bom futuro pela frente”, explica Inês.
O casal, preocupado com o futuro da prole, conseguiu dar um estudo de qualidade, matriculando-os em colégios com regime de internato, de Florianópolis e Porto Alegre. “O pai era uma pessoa muito séria, justa. Homem trabalhador, que conquistou tudo o que tinha através do esforço e vontade. Todo mundo gostava dele, e era muito bem visto em Urussanga e região”, ressalta Luci. Além de todas as conquistas já citadas, Rosalino foi dono de um dos primeiros carros e aparelhos telefônicos da cidade, e a primeira motocicleta de Urussanga também era dele. O urussanguense faleceu em 1988, aos 85 anos de idade.
A família deixou a casa no centro da cidade na década de 40, mas as recordações e lembranças dos antepassados ainda estão vivas na memória de seus descendentes.
