Agricultor utiliza água como fonte de energia
jul 2nd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Cultura
Trabalhar com engenhos movidos apenas com a força de água é uma atividade cada vez mais rara. E encontrá-los em perfeito estado de conservação é ainda mais difícil. Na localidade de Rancho dos Bugres Leonório Savi Mondo, 81 anos é uma dessas poucas pessoa que ainda conservam o engenho.
A construção tem mais de cinqüenta anos, seu Noro, como é conhecido, ainda lembra de sua construção. Ele não sabe precisar quanto tempo levou para ficar pronta, só lembra que foi um longo período. O engenho foi montado com a ajuda do irmão mais velho, Vicente, que conhecia as técnicas para fazer as engrenagens. As ferramentas mais utilizadas na época foram os formões e os trados. Para puxar as pedras da fundação os bois foram de grande valia. Eles suportaram o grande peso dos blocos de granito com mais de três metros de altura. A madeira escolhida para obra foi canela, que na época era encontrada com facilidade na própria propriedade. Os irmãos construíram uma roda d’agua de sete metros de altura que até hoje permanece em funcionamento.
O local do engenho foi escolhido a dedo, pois tinha de ser próximo a quedas d’água para impulsionar a grande roda e mover as engrenagens. A principio o engenho foi utilizado para fabricar farinha, depois como uma serraria. Atualmente é utilizado como um engenho de cana, onde também funciona um alambique. A serraria pica-pau ainda está montada, mas há muito tempo não é utilizada. “Faz uns quarenta anos a gente serrava muita madeira aqui. Agora não vale mais a pena”, disse.
Quando perguntam sobre a energia elétrica o agricultor tem a resposta na ponta da língua: “A única energia que não vem da água aqui (no engenho), é usada só para acender as lâmpadas”.
Anualmente seu Noro reativa o alambique e produz a cachaça para o consumo da família e da vizinhança.Tudo é feito da forma artesanal e antiga, conforme aprendeu com seus pais. Seu Noro sempre morou no Rancho dos Bugres, constituiu família casou-se com Maria Belluco com quem teve cinco filhos.
Na propriedade da família Mondo além do engenho de farinha existia uma tafona que beneficiava o milho para a família e também para vizinhos. “Agente moia sacos de milho para os vizinhos, e também para nosso sustento, naquela época se fazia sacos de farinha, não um quilo ou dois. As famílias eram grandes e todos gostavam de uma boa polenta” conta o agricultor.

