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O amor

jun 10th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Crônicas

Muita gente já tentou definir o que é o amor. Uns dizem que o amor é uma questão de química, outros dizem que é pura matemática, há os que atribuem o amor a uma atração física, mas têm aqueles falam que tudo isso é pura história. Tirando os que tentam defini-lo, existem os que o vivenciam. Estes não sabem bem o que é, de onde vem e para onde vai, mas se entregam de corpo e alma, uns mais de corpo outros mais de alma.

O amor é a segunda coisa fundamental em nossas vidas. A primeira é a respiração. Para as mulheres o amor vem sempre depois da novela e para os homens, depois do futebol, isso se o time do coração vencer.

O amor se assemelha aos bichos, deve ser alimentado. Sem o alimento, feito bicho, ele enfraquece, adoece e morre. Mas do que se alimenta o amor? O amor se alimenta de gestos, de palavras doces, solicitudes, de pequenos bichos, desenhos, rabiscos, sexo, cartas, bilhetes e outras guloseimas.

O amor é que nem imposto de renda, precisa ser declarado. Contudo, não carece de registros em cartório, negativas de multa, testemunhas, e firma registrada. No amor vale o fio do bigode, a palavra empenhada, um sorriso, uma flor dobrada no meio do caderno, um olhar e um comprometimento eterno.

Por amor se faz muitas coisas que até Deus (o pai do amor) duvida: dietas, poemas, promessas, músicas, caminhadas, bebedeiras, tatuagem e até horóscopo,

Mas neste mundo tudo o que é bom tem o seu lado inverso, o amor não foge a regra. É grande a legião de pessoas que sofrem desse mau, o mau de amor. Basta não ser correspondido e pronto, vira doença incurável, daquelas que sentencia o paciente à morte, morte lenta, penosa e ao mesmo tempo doce. Que o diga Camões:

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer; (…)”

O amor é inexplicável, misterioso e fundamental. Sem ele a vida não seria vida, o vinho talvez fosse vinagre, dia não teria luz e a noite seria apenas o breu sem estrelas, sem lua e sem poesia, sem nada e Paulo certamente não escreveria aos coríntios: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine”.

Enfim, todo mundo na vida deve andar de bicicleta, tomar um pileque e ter um amor.

Eu sou um felizardo. Já andei de bicicleta, tomei alguns pileques e encontrei um amor. Ela é uma flor que eu não me canso de admirar. É linda e possui o olhar de quem quer o mundo sem nada pedir, de quem alumia os caminhos, que remove da noite o breu e que povoa o firmamento de pontinhos brilhantes, estes nada são mais do que reflexos de sua boa alma.

* César Pereira
Jornalista

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