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Velho Sete de Setembro

jun 4th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Crônicas

Passei uma boa parte da minha infância vendo o Sete de Setembro, lendário time da comunidade de São Pedro, Jogar. As longínquas tardes de domingos do final da década de 70 ainda permanecem vivas na minha memória. Era um bom time. Não me lembro do nome de todos os craques, mas boa parte deles ainda não me esqueci. O camisa dez era o Vilson. Exímio cobrador de faltas, cabeceador, dominava e lançava como poucos. Seu futebol assemelhava-se ao do grande craque da Ponte Preta, Dicá (quem o viu jogar sabe do que estou dizendo). Na meia cancha ainda tinha o Chicão na cabeça de área. Ele era uma verdadeira muralha. Jogador forte não brincava em serviço e nem perdia a viagem. O trio do meio era completo pelo habilidosísimo e técnico Camisa 8 Valdir Camaroa. 

Tinha também os três Manducas. Um era o João, o goleiro, que pegava até pensamentos. Sabia muito e orientava a equipe para triturar os adversários. Ele substituiu na época, o saudoso Lauro Pereira, que já estava aposentando as luvas. O Leca, o outro Manduca era o zagueiro central. Com ele não tinha tempo feio. Jogador forte de explosão não dava chances para atacante nenhum. O Zé completava o trio Manduca. Foi o maior artilheiro da história do time. Esperto, rápido, impetuoso, marcava gols em quase todos os jogos do Sete de Setembro. Era um artilheiro nato.

Ainda lembro do quarto Zagueiro, o Toni Rosso. Quando o perigo vinha, alguém da torcida gritava: “Russa Toni!” e o Toni obedecia prontamente: mandava a bola para o mato, porque o jogo era de campeonato. Ainda tinha Funha na Lateral direita, o Garbin na lateral esquerda, o Spadel na ponta direita e o habilidoso Jucemar na ponta esquerda, que cruzava na medida para quem quisesse fazer o gol.

Naquele Glorioso time, que perdurou quase uma década vencendo tudo o que disputava, tinha também o Primo Rosso, Luiz Piovezan o Nei, o Didi, o Betão da Rádio Marconi e tantos outros.

Na melhor fase o Sete de Setembro ficou 52 partidas sem perder. Quando jogava em seu campo, o time era prestigiado por centenas de torcedores que vinham ver de perto o espetáculo nas quatro linhas.

O principal rival do Sete era o De Villa. Quando os dois times se enfrentavam o tempo ficava escuro e muitas canelas rochas. Era um grande clássico.

O time ainda teve algumas glorias, mas acabou sendo desfeito. Para minha tristeza, passei perto do campo do Sete de Setembro esta semana e vi as traves enferrujadas e o gramado cheio de capim. No campo onde o Vilson, os Três Manducas, o Valdir e tantos outros brilharam no passado, estava um pequeno rebanho de vacas que pastavam sossegadamente.

* César Pereira
Jornalista

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