Arte Plumária Brasileira
abr 16th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Eduardo TascaA arte plumária é exuberante e está associada à religiosidade, a beleza e a vaidade, proporcionando elegância e majestade. No cocar estão contidas muitas informações, como o grupo, a faixa etária, posição social e política de seu possuidor. Em forma de roda, o grande arco indica o presente e o passado. As penas dos adornos são dispostas de forma planejada. A forma de adornar a plumagem traz consigo signos que somente podem ser decodificados por membros pertencentes à mesma cultura. Cada tribo desenvolve sua técnica criando um estilo todo próprio, caracterizando sua arte plumária. As penas e as plumas são as verdadeiras jóias dos índios pela técnica e raridades do material utilizado.
A criatividade da arte plumária revela o senso estético do índio, não só como enfeite, mas a valorizando a imponência e o esplendor indígena. A expressão artística do índio brasileiro no trabalho realizado com penas e plumas é reconhecida internacionalmente, exposta pelos museus e disputada pelos colecionadores do mundo. Cabe aqui classificar a matéria prima utilizada: as plumas são retiradas das costas e do peito da ave; a plumagem vem do pescoço, costas e peito; as penas são provenientes da cauda e das asas. A produção das peças plumárias cabe aos homens, que obedecem a um ritual desde a coleta, tingimento e confecção. Algumas tribos criam suas próprias aves para retirar as penas para criação de seus adornos.
A floresta é representada pelo verde, lá se encontram os seres sobrenaturais e também é a morada dos mortos; o amarelo relaciona-se às atividades exercidas pelas mulheres, casa e roça; o vermelho representa a casa dos homens, é ligado às atividades de caça, às guerras e aos rituais. Durante séculos a cultura indígena foi passada, sem modificações, de geração em geração. Este fato infelizmente é atingido pela globalização, com o índio perdendo sua identidade cultural. Comemorar o dia do índio parece cada vez mais remoto, uma vez que o índio a cada dia é descaracterizado.

Viseira e Diadema vertical confeccionado com penas de araras utilizado exclusivamente por homens adultos em diferentes rituais, principalmente os funerários. Povo Bororo - Mato Grosso.

Índio Camaca-Mongoio, 1834-1839
Jean Baptiste Debret
Litografia
Museu Castro Maia, Rio de Janeiro.


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