O circo e suas origens
abr 2nd, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Eduardo TascaA acrobacia na China era uma forma de treinamento para os guerreiros, tornava-os ágeis, fortes e flexíveis. Registros chineses de mais de 5.000 anos indicam figuras de contorcionistas e malabaristas. Na vastidão do Império Romano festivais proporcionavam ao público acrobacias e domadores com seus animais selvagens. Existiam anfiteatros para apresentações diversas. Roma possuía o Circo Máximo que foi destruído por um incêndio, em seu lugar foi erguido o Coliseu. Nas pirâmides do Egito nos deparamos com imagens de malabaristas e de pessoas guiando animais ferozes, como em paradas. Na Grécia e Egito Antigos os espetáculos consistiam na apresentação de domadores e também em cortejos, comemorando vitórias ou recebendo ilustres visitantes, com apresentações em argolas e barras, saltos e acrobacias, lembrando a ginástica olímpica. Com a decadência do Império Romano os artistas buscam sustento em praças públicas, feiras, castelos e vilas onde divulgam sua arte. Na Idade Média saltimbancos faziam a alegria em praças em troca de provisões.
O Circo, tal qual o conhecemos hoje, surgiu em 1768 como um show de variedades. No início o show consistia em uma apresentação de um domador de cavalos acompanhada de um tocador de tambor. Malabaristas, engolidores de fogo, trapezistas, atores e palhaços foram surgindo. Nasceram as companhias circenses que giravam a Europa. A maioria delas surgiu na França no período anterior à Revolução Francesa. A arte circense toma as ruas e é o resultado da performance artística: equilíbrio na corda bamba, saltos mortais, contorcionismo; elementos de teatro e dança; animais e seus domadores. O Circo, por sua vez, é o cenário conhecido por todos nós, com lona na cobertura, picadeiro central e arquibancadas ao redor.
A magia circense ganhou novos contornos com a beleza e a harmonia das pinceladas dos artistas que em sua temática representaram esta arte: Georges Seurat, Djanira, Agostinho Batista de Freitas, Pablo Picasso, Di Cavalcanti. “Vai, vai, vai começar a brincadeira… vem, vem, vem, vem o circo de verdade…” O circo sempre permeou a imaginação da criança dentro de nós como um lugar para abrigar um novo sonho e representar nosso mundo imaginário: uma vara vira um cavalo de pau, o tropeço do palhaço a gargalhada, e da cartola brotam coelhos, pássaros e flores, e o domador poderá ser engolido pelo leão, e o macaco… ah! o macaco…

O circo, 1891
Georges Seurat; Óleo sobre tela, 186 x 151,1 cm
Museu D’Orsay, Paris

O circo, 1942
Fulvio Pennacchi; Óleo sobre madeira, 50 x 70 cm
Coleção particular

