Preconceito ainda existe em relação à próstata
mar 26th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: SaúdeUm dos maiores tabus ainda encontrados entre os homens são, sem dúvida, as doenças relacionadas à próstata. Exclusivamente masculino, o órgão se localiza abaixo da bexiga e faz parte do sistema genital, sendo parcialmente responsável pela produção do sêmen. “Os mais bem informados se conscientizam da importância e da necessidade de fazer todos os exames”, fala o médico urologista Fabrício Rocha. Este pensamento se deve à probabilidade que os homens têm de ter um câncer no local. Estudos comprovaram que aproximadamente 35% daqueles que possuem entre 50 e 90 anos são portadores de células cancerígenas na próstata e, somente no Brasil, quase 50 mil novos casos surgem a cada ano.
O aparecimento da doença nesta altura da vida é explicável. Leva tempo até os fatores genéticos e ambientais eclodirem no corpo humano. Fumo, sedentarismo, obesidade e ingestão de alimentos gordurosos tendem a ajudar, e muito, no surgimento do câncer. Aproximadamente nesta idade é comum a próstata aumentar de tamanho. A enfermidade ocorre pela proliferação sem controle de células malignas no órgão. Elas começam a crescer, dividir e sofrer mutações genéticas.
Se descoberto precocemente, o câncer é tratado e curado com muito mais facilidade. Para isso, os homens têm que fazer os procedimentos necessários. “Existem dois exames que devem ser feitos anualmente pelas pessoas acima dos 50 anos. Um deles é o Antígio Prostático Específico, conhecido como PSA, que é o de sangue. O outro é o exame físico, chamado de Toque Retal. É extremamente necessário fazer os dois em conjunto, já que existem cânceres, principalmente os mais graves, que são detectados apenas com o do toque. Também é importante ressaltar que quem tem um familiar próximo com o câncer deve começar a fazer os exames aos 45 anos, já que a incidência e a possibilidade de ter a doença é bem maior”, explica o urologista.
Quanto mais cedo for descoberto, mais chances de cura haverá. Esta enfermidade em estado inicial é potencialmente curável, embora muita gente não procure um médico por possuir certo preconceito em relação aos exames. “É muito melhor descobrir e tratar no começo do que deixar a doença se espalhar pelo corpo. Não se deve esperar aparecer os primeiros sintomas para procurar ajuda especializada, até porque a esta altura o câncer já está em um estágio bem avançado”, alerta Rocha.
Após o diagnóstico, existem dois tratamentos que podem ser feitos. O mais recomendado e que possui maior probabilidade de cura é a cirurgia, onde toda a próstata é retirada. A outra maneira é através da radioterapia. Neste método, são emitidas ondas externas que, direcionadas ao sistema genital, queimam o órgão e o tumor que nele se encontra. Este processo é mais indicado aos pacientes que não podem passar por nenhum tipo de procedimento cirúrgico e também possui boa chance de cura. “Muitos homens têm medo do tratamento porque pensam que vão ficar impotentes ou estéreis. Apenas cerca de 30% dos homens próximos aos 90 anos têm este problema. Quanto mais novo e mais saudável for o paciente, menor a chance de passar por isto”, fala o especialista.
Conforme o jornalista Licio Silva, que hoje tem 83 anos e há 13 passou por um processo de radioterapia, retirar o câncer não foi inconveniência alguma. “Eu fui a Porto Alegre operar uma pedra que estava no rim e desceu para o ureter. Chegando lá, o médico perguntou se não queria aproveitar o procedimento e tratar a próstata. Respondi rápido, é claro que quis”, afirma ele.
Mesmo tendo hábitos saudáveis durante a vida, a doença se instalou no órgão do jornalista. Silva nunca bebeu nem fumou, raramente comia alimentos gordurosos e se cuidava o máximo possível. Porém, não gostava de ir ao médico, e jamais fez o exame de sangue ou do toque para prevenir a enfermidade. Aos 60 anos o aumento da próstata foi constatado, e o alerta foi dado: “Tu deves operar o órgão”, avisou o profissional da saúde.
Pouco antes de passar pela radioterapia, Silva já sofria com dificuldade em urinar. Durante o inverno, principalmente, a vontade de ir ao banheiro no decorrer da madrugada era intensa, e precisava levantar-se várias vezes durante a noite, embora não conseguisse eliminar o líquido. O problema foi resolvido com a radioterapia, e hoje, o homem não se preocupa mais com problemas que poderiam ser ocasionados pela falta de cuidados com o órgão. “Eles limparam toda a próstata e queimaram o tumor que tinha ali. Sei que com isso não vou mais me incomodar”, afirma Silva.
Outro problema característico dos homens, considerado ainda mais comum que o câncer, é a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). Para entender esta doença, é necessário saber que o canal da uretra passa no meio da próstata. Por volta dos 50 anos, ela começa a crescer, tanto para fora quanto para dentro do canal, que é por onde passa a urina. Por este motivo, a bexiga precisa fazer mais força, o jato urinário enfraquece e, em alguns casos, a dor é constante. “Às vezes é preciso fazer tanta força para urinar que alguns vasinhos se rompem, chegando a sair sangue. Os casos mais graves ocasionam a retenção do líquido urinário e infecções repetitivas”, lembra Rocha. Para esta doença, o tratamento é medicamentoso.
“Quando os homens chegam aqui com receio da fazer o exame do toque, eu dou o exemplo das esposas deles. Elas precisam fazer o preventivo para ver se tudo está bem, não precisam? Então, eles também devem fazer o exame da próstata para evitar complicações mais graves futuramente. Às vezes, por este medo infundado que possuem, eles perdem o momento certo de descobrir o início da doença”, avalia o urologista
Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maior as chances da cura ser completa. Preconceito, tabu e receio devem ser deixados de lado quando o assunto pautado se refere à próstata. “Fiquei estéreo sim, e não vejo nenhum problema nisso. Por que veria? Um homem com 70 anos já tem a família formada, não vai mais querer ter filhos não é? Eu falo para quem quiser ouvir, esterilidade não tem nada a ver com virilidade”, ressalta Silva.


Meu marido vai fazer a cirurgia de próstata daquela que é pelo abdômen. Ele tem 42 anos. Ele vai ficar estério? Responda-me por favor.
Meu marido fez uma cirurgia de próstata aos cinquenta anos, foi feita pelo canal do pênis, ele vai ficar estério? Caso não, a criança pode nascer com problemas?