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Anita Malfatti – A Injustiçada

fev 12th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Eduardo Tasca

Anita Malfatti (1889-1964) inicia os estudos sobre arte com sua mãe, uma americana casada com um italiano. Possuía uma atrofia congênita no braço e na mão direita e utilizava a esquerda para pintar. Aos 20 anos segue para a Alemanha, graças à ajuda financeira de seu tio Jorge Krug, e ingressa na Academia Imperial de Belas Artes de Berlim. Na Europa Anita familiariza-se com as coleções dos museus e das galerias. A Alemanha, em 1910, vive o auge do expressionismo.

No final do ano de 1917 realizou uma exposição em São Paulo, a apatia do meio artístico paulista é quebrada. Foram 53 obras que despertaram grande interesse do público e da crítica. Monteiro Lobato, escritor e jornalista respeitado e prestigiado, criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo, publicou arrebatada e preconceituosa crítica à exposição de Anita, sem mesmo ter ido à exposição. As palavras de Monteiro Lobato foram destruidoras para Anita, causando-lhe intensa depressão e insegurança, que lhe acompanhou por toda a sua vida. Anita, em seus estudos na Europa e Estados Unidos, rompeu com os vínculos vigentes da pintura clássica. Pinta com liberdade de pensamento e sentimento. Na exposição de 1917, Anita construiu cenários influenciados pelo cubismo e pela modernidade trazida de suas andanças. Lobato não gostou, pois os cânones clássicos residiam em seus conceitos sobre arte. Anita se utilizava do óleo sobre tela, pastel, carvão, passeando pelas diversas técnicas.

Foi uma das mais revolucionárias artistas brasileiras. Anita participou do “movimento antropofágico”, que vai contra os princípios das proporções clássicas tradicionais. O expressionismo, o futurismo, o surrealismo, o cubismo provocaram o que talvez tenha sido o período mais revolucionário da arte em todo o mundo. Ela aderiu aos movimentos de mudança e soube captar a expressão interior. Através dos códigos e da linguagem gráfica pessoal busca o aprendizado de novas poéticas, construindo com objetividade as formas da nova estética. O Farol (1915), Torso/Ritmo (1915/1916) e O Homem Amarelo (1915/1916) são obras onde o desenho se ausenta da verossimilhança clássica e ganha novas interpretações, através das massas pesadas e volumosas, do contorno sinuoso na busca de superfícies em cores contrastantes. Mesmo nos dias de hoje o olhar da cultura brasileira não permite admiração pelas obras modernistas e de Anita. É preciso saber refletir sobre as obras dos artistas inovadores e seus experimentos em arte.

Coluna-tasca
O Farol, 1915
Anita Malfatti, óleo sobre tela

6 comentários
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  1. Professor, achei fantásticos os seus artigos neste jornal! Comecei até a copiar para guardar, mas é muita coisa! Já publicou um livro com todas essas maravilhas? Se não, está mais que na hora! Até 5a. feira! Angelina

  2. Maravilhoso!

  3. O Farol de Anita é uma das obras mais lindas de suas pinturas, tanto é que estou pintando, ou seja, ampliando para que ela fique muito parecido, praticamente igual! IMPOSSÍVEL!

    Beijos, de uma grande admiradora que gosta também de pintar, tento!

  4. Essa mulher é uma tapada, não sabe pintar, até a minha irmã de oito anos pinta melhor!

  5. Achei fantásticaa as suas obras. Estou estudando elas em minha escola. Muito interessante estudar sobre você e seus trabalhos…

  6. Na época que Anita pintava, o pós impressionismo era uma tendência forte na Arte moderna e muitos artistas brasileiros iam fazer cursos na Europa para completar seus conhecimentos, e é claro que com o movimento modernista brasileiro os artistas brasileiros começaram então tirar os temas nacionalistas das gavetas e mostrarem para o mundo, o que foi simplesmente um sucesso. Graças ao grupo dos cinco e Santa Helena podemos dizer que o Brasil foi incluido mundialmente nas Artes através do movimento forte que se deu em 1922. Vera Lúcia,vai estudar minha filha!

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