Anuncio

FALAR SOBRE ARTE

jan 29th, 2009 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Colunistas, Eduardo Tasca

Coluna-TascaHá de se considerar que o antigo ditado “gosto não se discute” torna-se verdadeiro num primeiro momento, mas não se deve jamais ignorar o fato de que o gosto sugere o desenvolvimento. Quando dispomos de tempo, de vontade e temos ânsia por descobrir novos horizontes, estamos aptos a explorar o refinamento e a selecionar a arte, como também a outros processos criativos, nunca esquecendo que o gosto sugere complexidade maior do que o refinamento de bebidas ou alimentos. Há sempre novos caminhos a trilhar no aprender acerca da arte. Também existe o perigo real neste campo, como o esnobismo e as frases feitas, pois em arte nunca se sabe o suficiente, há sempre mais a aprender. Devemos nos guiar sempre com o olhar de um estrangeiro.

Quando me refiro a esta verbalização, sugiro não nos habituarmos com o que está diante e ao nosso redor. Exercitar os nossos olhos às características muitas vezes não percebidas, é aumentar nossa sensibilidade. O progresso sempre ocasionou mudanças substanciais na história da humanidade e das artes. Esta relação acompanha o homem desde a Pré-História até nossa contemporaneidade. É no estranhamento que ocorrem as grandes transformações. O próprio automóvel quando surgiu, era dito, por críticos, que jamais superaria a carroça. O mesmo ocorreu nas artes, e cito aqui como exemplo principal, entre tantos outros, Van Gogh, Gauguin e Cézanne, verdadeiros revolucionários da Arte Moderna.  Abrindo um parênteses aos críticos de arte, estes, anteriores aos pintores citados, teciam críticas ásperas, julgando através do gosto até antão de seu próprio conhecimento. Na contemporaneidade a crítica busca entender e promover.

 Por meio dessa filosofia de mudanças alguns perderam a coragem de criticar, pois reconheceram, através de seus antecessores, atitudes falhas que não aceitaram o surgimento de novos estilos. Estilos estes que proclamaram a fama de artistas até então desconhecidos e que foram desencorajados pela pesada crítica, como ocorreu com Anita Malfatti, em 1917. Devemos sempre observar a arte dando oportunidade para conhecer a obra e o artista.

Deixe um comentário