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O desatento

nov 20th, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Crônicas

Pense nas dez coisas mais perigosas do mundo. Pensou?  Para ajudar o leitor refletir sobre os principais perigos que nos rondam diariamente, cito aqui alguns: Dirigir de olhos fechados, consertar a rede elétrica sem desligar a chave geral, fumar num depósito de pólvora, comer pastel de rodoviária, praticar roleta russa, convidar a sogra para passar uma semana na sua casa, mergulhar em piscina rasa, etc…

O leitor poderá dizer: “que lista de perigos mais fajuta, tem coisa bem pior”. Sim, tem coisa bem pior, como atravessar a rua de uma favela em meio a um tiroteio entre facções criminosas rivais, cutucar a onça com vara curta, mexer em ninhos de marimbondos, eleger políticos corruptos, etc…

Perigo é o que não falta em nosso mundinho cão. Mas nada se compara a um sujeito desatento. O desatento pode provocar desde pequenas contusões até verdadeiras tragédias.

Conheci um sujeito que praticamente derrubou a casa ao colocar o carro na garagem. Ele não estava bêbado. Apenas não teve a atenção suficiente para enxergar a coluna de sustentação na entrada da garagem. Resultado: parte da construção de alvenaria veio abaixo. O condutor desatento teve sorte, sofreu apenas escoriações, mas o veículo deu perda total.

Outro sujeito, num dia de chuva, dirigia-se ao trabalho protegido por um guarda-chuva. Quase em frente à empresa resolveu fumar. Virou-se na direção contrária ao vento para acender o cigarro e continuou a caminhada, só que no sentido oposto ao do trabalho. O desatento trabalhador só se deu conta quando foi abrir o portão de sua casa.

Não são poucos os grandes acidentes aéreos em que as causas prováveis são atribuídas aos desatentos de plantão, que deixaram o celular ligado.

Os especialistas em futebol não se cansam de atribuir a memorável derrota da Seleção Brasileira de 1950 em pleno Maracanã com 200 mil pessoas à desatenção do goleiro Barbosa, que morreu com o estigma de ser responsável pela maior tragédia futebolística brasileira da história.

Na segunda guerra mundial o temível submarino japonês, o Shinohara sobreviveu centenas de bombardeios, milhares de torpedeamentos, tiros de fuzil, metralhadoras canhões e até pragas de padres, mas nada foi capaz de afundá-lo. O infame era indestrutível, até que um dia o Shinohara foi para o fundo do Oceano Pacífico e inexplicavelmente lá ficou juntamente com a sua tripulação. Morreram todos afogados. Quarenta anos depois, quanto o submarino foi içado do fundo do mar, peritos disseram que não havia marcas de avarias provocadas por qualquer artefato de guerra, mas que uma prosaica escotilha foi esquecida aberta por um marujo desatento.

Poderia ficar escrevendo um dia inteiro sobre os desatentos e suas desatenções, mas eu preciso chamar o chaveiro para abrir o meu carro. Fechei a as portas com a chave dentro.

* César Pereira
Jornalista

Um comentário
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  1. A versão contada pelo senhor Cesar a respeito do submarino Shinohara não relata a verdade dos fatos.

    Quando resgatado, as autoridades constataram um caso de suicídio coletivo onde a citada escotilha foi deliberamente aberta. Foi ainda verificado que a tripulação comeu documentos importantes para assim não revelar segredos. Na ocasião, o inimigo estava na eminência de capturar uma máquina que ainda hoje seria respeitada e assim obter conhecimentos relevantes, logo sua distruição não fazia sentido. Por isso, devemos respeitar a tripulação do Shinohara que doaram seus bens maiores em prol de uma causa.

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