Anuncio

As domingueiras do século passado embalaram a história de amor que dura quase 70 anos

nov 20th, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Cultura

imigranteA velha casa centenária, construída com esteios de sobragi e tábuas de canela e peroba é a testemunha viva de uma história que teve início em 1895, quando o imigrante italiano da região de Treviso, Arcângelo Zaccaron, fixou morada no Morro da Lagoa, comunidade, hoje, pertencente à Urussanga.

Líbero Zaccaron, 91 anos, um dos filhos do imigrante, que ainda mora na mesma propriedade que pertenceu ao pai, orgulha-se de mostrar a antiga construção, que hoje é utilizada como paiol, e contar as histórias vivenciadas pela família. “Eu nasci nessa casa e tenho boas lembranças dela”, diz.

Segundo Líbero, a casa foi construída com madeiras retiradas no próprio terreno e serrada manualmente pelos integrantes da família. “Meu pai dizia que naquela época passou muito trabalho aqui, pois teve que começar tudo do nada, mas era melhor do que a situação da família na Itália daquele tempo, que era muito precária”, assinala.

Casado há 68 anos com Henriqueta Fornasa Zaccaron, o filho de imigrante ainda esbanja vitalidade e boa memória. Aos 88 anos ela também gosta de relembrar os bons tempos vividos pelo casal, especialmente na juventude, quando iam aos bailes nas memoráveis domingueiras de São João, município de Pedras Grandes. “Nossos pais nos levavam para dançar. As moças não podiam recusar o convite para a dança. Se isso acontecesse, era briga na certa”, afirma.  Para evitar problemas, Henriqueta não perdia tempo e dançava o baile inteiro com Líbero, seu namorado. O namoro foi sereno e idílico, iluminado a luz de velas e lampiões a gás (liquinho), pois ainda não havia redes de energia elétrica naquela localidade. Para acender o fogo, utilizava-se de duas pequenas pedras, um cano de bambu e algodão. O atrito das pedras fazia saltar uma centelha, que produzia a chama. O casamento chegou naturalmente e, da união, nasceram oito filhos.

 Para sobreviver, plantavam milho, feijão, arroz, criavam gado de leite, porcos, e até abelhas. Tudo era comercializado numa cooperativa que existia na comunidade de São Pedro. Com a desativação da cooperativa, a loja de secos e molhados de Luiz Meneghel passou a ser o destino da produção da família. Vez por outra o casal tomava o trem e ia à Laguna para comprar roupas e utensílios duráveis, pois lá os preços eram mais baixos. Um pequeno córrego que corta o sítio abastecia o descascador de arroz (monjolo ou mata galinhas como o pessoal do lugar chamavam o mecanismo construído de madeira).

Para Dona Henriqueta e seu Líbero o trabalho e o contato com a natureza e a boa convivência familiar são o segredo para a longevidade do casal que permanece junto há 68 anos.

Deixe um comentário