Bodas de Ferro, 65 anos de amor e respeito
set 25th, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Cultura
Hoje faz 65 anos que Leda Tereza Mariot e Albino Belloli assumiram diante do altar o sacramento do matrimônio. A união realizada no dia 25 de setembro de 1943, na Igreja Matriz, foi testemunhada por parentes, amigos e abençoada por Deus. Afinal, são mais de meio século juntos, onde o amor, carinho e a ternura continuam resistindo firme ao passar dos anos.
Quando eles se casaram, tinham apenas 22 anos. Namoram durante dois anos e ficaram noivos por nove meses.
Leda é natural de Veranópolis, Rio Grande do Sul, e veio para Santa Catarina de navio. Desembarcou no Porto de Laguna, aos quatro anos de idade, com destino a Urussanga, onde permaneceu até se casar.Albino veio de mais perto, nasceu na Primeira Linha, em Criciúma. Desde cedo aprendeu o ofício de pedreiro, profissão que desempenhou durante muito tempo.
O primeiro encontro do casal aconteceu quando ainda eram adolescentes, tinham 16 anos. Um dia, Albino e alguns colegas vieram de Criciúma disputar uma partida de futebol. O campo localizava-se onde hoje fica o Colégio Barão do Rio Branco. A casa de Leda ficava nas proximidades, então, seu Albino e um amigo foram até lá pedir um copo de água. Chegando lá depararam-se com Leda e uma amiga. A amiga de Leda fez uma brincadeira inocente dizendo que os rapazes eram ajeitados, mas na época ela nem levou em consideração o comentário. Porém, os anos foram passando e como Albino era contratado pelo Estado, viajava de cidade em cidade fazendo grupos escolares.
Aos 19 anos foi transferido para Urussanga para ajudar na construção do Barão. Entretanto, o jovem já estava noivo. “Mesmo sabendo que ele era comprometido, percebia o interesse dele por mim”, confessa dona Leda.
Mas o noivado durou pouco. A noiva de Albino desfez o compromisso deixando-o livre. Foi depois disso que os dois começaram a conversar. Viam-se apenas nos domingos, mas antes do sol se pôr, ela tinha que estar em casa. Geralmente os encontros eram depois da missa.
Um dia, Albino comunicou à namorada que ia até sua casa porque desejava um compromisso mais sério. “Naquele tempo se usava ir até a casa da moça e pedir permissão dos pais para namorar, mas com nós dois não foi assim. Apenas avisei meus pais que ele iria vir até nossa casa”, explica Leda.
Oficializado o namoro, agora, ele tinha a liberdade de ir visitar a amada duas vezes por semana, nas quartas-feiras e aos domingos. A diversão era ir à missa e ficar conversando, mas nunca ficavam sozinhos na sala.
Leda conta que quando era solteira, um tio perdeu a esposa e, não tendo como tomar conta do filho pequeno, trouxe para sua casa um menino. “Me apeguei àquele menino. Quando começamos a namorar em casa ele tinha quatro anos. Durante as visitas de Albino, sentávamos na sala, onde havia três cadeiras. O menino ficava no meio, e eu e ele em cada lado”, salienta.
Com o casamento, o casal foi morar em Santana e levou o menino junto, pois Leda gostava da criança como um filho. Contudo, seu pai foi buscá-lo logo em seguida.
Leda tinha estudado para ser professora, mas depois do casamento teve de seguir os passos do marido. Moraram em vários locais e ela lembra, aos risos, que eram parecidos com ciganos. Mesmo sem trabalhar fora, nunca deixou de ser independente e ter seu próprio dinheiro. Costurava e com um afinado tino comercial conseguia administrar o que ganhava.
O casal não teve filhos naturais, mais de coração possuem quatro. “O primeiro foi o meu primo que criei como filho, depois adotamos um menino. Ele, por sua vez, também adotou um casal que ajudei a criar, então esta é a minha família” afirma Leda, satisfeita.
Mesmo depois de 65 anos, Leda acredita no casamento. “Um casamento para ser duradouro deve ter amor, respeito, compreensão e seguir sempre um linha correta. Tendo isso, não tem casamento que não dê certo. Nós tivemos e temos uma vida feliz, não tenho queixas, pena que ela está no final”, avalia Leda

