64 anos de amor e respeito
jul 31st, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: CulturaCom o tempo aprendemos que só o amor verdadeiro pode unir as pessoas de forma que elas vivam juntas e não briguem por qualquer motivo. É o amor o sentimento mais louvável. É ele que nos enche de compaixão, anseios e emoção. Descobri-lo é, sem dúvida, viver de maneira mais feliz e completa. É encontrar a alma gêmea, a outra metade da laranja, a tampa da panela, o par perfeito. Amar é viver. Viver pensando em alguém e o que fazer para agradar esta pessoa. É descobrir a melhor maneira de aproveitar todos os momentos juntos, sempre embasados no carinho e respeito mútuo.
Há cerca de um mês tivemos o primeiro contato com a família de José de Bonna Sartor e Joaninha Bez Fontana Sartor. Moradores do bairro Santaninha e casados há 64 anos, a alegria contagiante se fez presente durante toda a entrevista.
Chegamos à residência do casal por volta das 15 horas. A receptividade encontrada no local deixou-nos encantados. Os dois, junto a alguns filhos e netos iniciaram a conversa contando sobre as dificuldades e alegrias encontradas no início do casamento. Em 29 de julho de 1944 casaram-se, ambos aos 20 anos de idade. Construíram uma casa no bairro Santana, tiveram sete filhos, e lutaram para conseguir dar uma vida digna aos primogênitos.
Eles sempre trabalharam na roça e faziam alguns bicos para aumentar a renda familiar. Joaninha era costureira e José, carpinteiro. Após 35 anos de casamento, em 1979, foram obrigados a abandonar a casa, em Santana, e residir em outro lugar. O motivo da desapropriação se deu pela localização do local em que moravam; lá era ponto de extração de carvão. Compraram um novo terreno, em Santaninha. O espaço era grande, mas para poderem se abrigar tiveram que desmatar o ambiente.
Durante dois meses o casal e os filhos moraram em um pequeno rancho construído no terreno. As árvores nativas tiveram que ser cortadas, a casa foi construída e a energia elétrica colocada. Uma estrada que ligava o local até o resto dos moradores do bairro foi aberta e a água, canalizada.
Uma nova vida estava prestes a começar e eles adaptaram-se à situação. Aos poucos, começaram tudo de novo em Santaninha. Com a ajuda dos filhos e netos, fizeram da casa um ambiente coberto por união e amizade.
Conforme uma das filhas, o respeito sempre falou mais alto na relação do casal. “Eu nunca vi eles brigarem. Sempre tiveram muita consideração um pelo outro e por nós. Não temos o que reclamar de nossos pais, não podemos falar nada de mal”, afirma. José, com o bom humor sempre presente, completa, aos risos, “quem briga é cachorro”.
Cada um tem 85 anos, conheceram-se aos 17 e três anos após, casaram-se. Ao completar Bodas de Fabulita (64 anos de matrimônio), o casal mantém-se firme no amor e distribui sorrisos e abraços. Uma grande família formou-se desde o ano de 1944. São sete filhos, duas noras, quatro genros, 22 netos e oito bisnetos.
Beirando às 17 horas, nossa equipe voltou à redação. Saindo da casa da família Sartor, uma última consideração do casal chamou a nossa atenção: “A esta altura da vida nós ainda somos felizes”, ressaltou Joaninha. E, realmente, aquilo que estava nítido desde o princípio se fez ainda mais claro: só o amor constrói.



Parabéns para a família Sartor. Que exemplo de vida, muito me emociona em saber que vivem tão bem, e ao mesmo tempo tenho a dizer que meus pais tambem viveram uma vida assim com muito amor, junto com seus filhos. Quem sabe até sejam parentes, meu pai é Antonio Sartor e minha mãe Etelvina Lioço Sartor, ambos já falecidos e residentes em Vacaria, RS. Um grande abraço para a família