Equoterapia: Um novo método de curar doenças e traumas

Isabelle Rossetti é uma jovem urussanguense. Tem 16 anos, gostar de rezar e participar de missas. Como muitas pessoas de sua idade, ela não aprecia verduras e legumes. Troca qualquer outro tipo de alimento por um prato de arroz com feijão. Vai para a escola no período matutino e, durante a tarde, fica em casa com a mãe. Seu maior divertimento é permanecer no quarto ouvindo música; ajuda nos trabalhos domésticos e brinca com bonecas. Isabelle tem facilidade em aprender canções, demonstra muita sensibilidade musical conhecendo, assim, várias composições e grande parte dos cantores brasileiros. É calma, alegre, obediente e gosta de receber visitas em casa.
Isabelle falou pela primeira vez aos oito anos de idade e começou a andar, aos quatro. Ela tem uma doença rara, a síndrome de Williams. Possui desenvolvimento motor lento e problemas com coordenação e equilíbrio, causando atraso psicomotor. Aluna da Apae, há três semanas iniciou em um tratamento terapêutico novo no município, a equoterapia, terapia com cavalos. Em pouco tempo praticando a atividade, já demonstrou melhoras na linguagem e se sente mais motivada a ir para a aula.
A jovem é uma entre os quinze alunos adeptos à atividade, existente há menos de um mês em Urussanga.
Equoterapia, tratamento eficaz e contínuo

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo para proporcionar uma série de benefícios aos praticantes. É um tratamento complementar à fisioterapia, e tem como principal objetivo a melhora física, social e psíquica dos pacientes. O motivo principal do sucesso da equo é, sem dúvidas, o cavalgar do eqüino. O movimento rítmico (marcha) do animal tem 90% de semelhança com o andar do ser humano.
Sem que o praticante perceba, quando está sob o cavalo, mesmo que involuntariamente, executa movimentos tridimensionais horizontais (direita, esquerda; frente, trás) e verticais (para cima e para baixo). Após meia hora de exercícios, o paciente executa de 1,8 a 2,2 mil deslocamentos que atuam diretamente no sistema nervoso profundo, que é responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade.
É por causa desta similaridade e dos estímulos enviados ao cérebro que o praticante melhora a postura, a coordenação, a musculatura e a linguagem, em função da respiração correta que é trabalhada. Ela é aconselhada para quem possui algum tipo de problema físico, psicológico ou cognitivo. Portadores de diversas síndromes, quem possui seqüelas neurológicas ou algum tipo de paralisia, pessoas que já tiveram Acidente Vascular Cerebral (AVC), autistas e hiperativos. O tratamento ajuda aqueles que possuem má formação no sistema nervoso central, que é depressivo ou dependente químico. É indicado para combater o stress, elevar a auto-estima, corrigir a postura, desenvolver a linguagem, entre várias outras funções.
A idéia da implantação
O casal urussanguense Carlos Alberto Nunes e Maria da Glória Pillon Nunes participou de um curso sobre doma racional de cavalos há dois meses. Em 10 aulas, aprenderam a lidar com os eqüinos e corrigiram o que estavam fazendo de errado durante a doma. Incentivados pelo professor, resolveram iniciar um trabalho de equoterapia no município. Estruturaram o local onde moram, no bairro Alto Rio Molha, com um redondel de 15 metros, feito de areia, que é padrão. Montaram rampas para os cadeirantes e disponibilizaram uma casa para os praticantes, onde podem ir ao banheiro, fazer lanches e guardar as coisas que trazem para as aulas.
Junto ao professor, entraram e contato com duas fisioterapeutas, Inajara Mendes Anjo e Taise Cardoso Petronilho, de Cocal do Sul, que têm especialização em equoterapia. Há três semanas iniciaram os trabalhos e hoje contam com 15 alunos, sendo 11 da Apae.
Os resultados imediatos
“Eles estão vencendo obstáculos, enfrentando e superando os próprios medos”, é isso que afirma a diretora da Apae de Urussanga, Silvana De Bonna. A equoterapia é um tratamento em longo prazo e os pacientes devem praticar por, pelo menos, seis meses. No início, é comum perceber a melhora na linguagem e o aumento da motivação e auto-estima. Os demais benefícios aparecem com o passar das sessões, que são realizadas em meia hora, uma vez por semana.
A princípio alguns praticantes ficam receosos de montar no cavalo. Então, os proprietários da localidade e as fisioterapeutas mostram-lhes o animal, o que fazem e onde ficam durante o dia, até que eles se familiarizem e percam totalmente o medo de montar. As atividades são iniciadas nas primeiras aulas. São trabalhos que estimulam a coordenação motora, os cinco sentidos, diferenciação de cores e sons.
“Sinto-me honrada em saber que minha filha está praticando a equoterapia. Ninguém imagina como eu fico feliz em ver a felicidade dela. Sei que é um tratamento que visa o bem da Isabelle, isso me proporciona uma alegria enorme”, salienta Elizabeth da Silva Rossetti, mãe da aluna.
Em pouco tempo fazendo a terapia, os pacientes já apresentaram melhoras significativas. “Só o fato de ela montar sozinha já é uma vitória”, ressalta a mãe. A vontade de continuar com a prática e aprender cada vez mais com os praticantes é o que anima os proprietários e as fisioterapeutas a continuarem fazendo o trabalho. “É muito gratificante vê-los em cima do cavalo. É lindo, não tem como descrever qual a sensação”, afirma Maria da Glória, uma das idealizadoras da equoterapia.
Colabore
Quem quiser apoiar o método da equoterapia no município e ajudar uma criança que precisa destes cuidados, pode entrar em contato pelo telefone (48) 3465-3362. O projeto “Adote uma criança” serve para que mais portadores de necessidades especiais participem da terapia. Com uma ajuda de 80 reais por mês, durante seis meses, mais uma pessoa poderá usufruir dos benefícios da equo. Solidarize-se e ajude você também!
Para quem tiver interesse em conhecer melhor o tratamento, pode dirigir-se até o local das atividades, três quilômetros acima da empresa Setep (bairro Rio Maior), na localidade de Alto Rio Molha. As aulas ocorrem toda quarta-feira no período matutino e às sextas-feiras o dia todo.
24 Jul, 2008 em Página Três
11 Comentários to “Equoterapia: Um novo método de curar doenças e traumas”
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eliane respondido em 14 Ago 2008 at 20:25 #
Eu tenho um filho portador de necessidades especiais e gostaria de colocá-lo na equoterapia. O que eu preciso fazer para inscrevê-lo?
sabrina respondido em 22 Ago 2008 at 20:50 #
Muito interessante o método da equoterapia. Sou estudante de fisioterapia e a tempo venho pesquisando os beneficios e a cura através do animal. Gostaria de saber mais, o que é preciso para montar um estabelecimento de equoterapia no município?
Edson Gustavo Silva respondido em 26 Ago 2008 at 14:13 #
Olá, meu nome é Gustavo e pretendo, nesse mês, implantar a equoterapia na Apae aqui de Monte Belo, mas gostaria de receber informações e orientações sobre como deve ser o local e como deve ser adestrado o cavalo…
Muito obrigado
graciliano freitas de Oliveira respondido em 09 Set 2008 at 09:19 #
Gostaria de informações para fundar centro de equoterapia. Já tenho o local e os animais, faltam os terapeutas e os fisioterapeltas conhecedores desta terapia
GFOLIVEIRA@HCPA.UFRGS.BR
viviane mota camara respondido em 15 Set 2008 at 12:01 #
Gostaria de informações para fundar um centro de equoterapia. Como devem ser os animais e a composição do quadro de profissionais? Gostaria também de fazer cursos sobre o assunto.
Karla Jurado Arantes respondido em 17 Set 2008 at 21:11 #
Olá me chamo Karla, sou estudante de fisioterapia de Blumenau SC.
Meu trabalho de conclusão de curso é envolvendo a equoterapia, me interesso muito sobre esse tema e gostaria se possível, receber por e-mail as novidades sobre o referido tema.
Desde já muito obrigado.
aline mary vinci respondido em 18 Set 2008 at 16:19 #
Olá, gostaria de obter informações de ongs que fornecem o trabalho na região de São Paulo, pois gostaria de fazer um trabalho voluntário.
Obrigada
Neide respondido em 20 Set 2008 at 10:35 #
Gostaria muito de receber informações detalhadas do que é necessário para implantar um trabalho de equoterapia, trabalho em uma apae, e nossa equipe quer implantar em meu município.
mathues respondido em 15 Out 2008 at 21:17 #
Eu queria receber vários detalhes disso ..
Vocês podem me mandar mais resposta no meu e-mail?
Arino Godinho de Souza respondido em 02 Nov 2008 at 21:53 #
Gostaria de informações para fundar um centro de equoterapia. Como devem ser os animais e a composição do quadro de profissionais? Gostaria também de fazer cursos sobre o assunto.
Rita de Cássia Lima respondido em 13 Dez 2008 at 00:48 #
Meu filho está com um ano e três meses… Sofreu um AVC e ainda não anda. Na verdade, ele ainda nem aprendeu a engatinhar. Gostaria de levá-lo pra fazer equoterapia… Como posso proceder? Muito obrigada..