Legalizados reclamam da informalidade
abr 3rd, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: EconomiaA informalidade na economia brasileira corresponde a cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). E, em Urussanga, não é diferente. Embora quem trabalhe de forma irregular, o faz, muitas vezes, porque não encontra oportunidade na economia formal, a situação tira do sério aqueles que pagam em dia seus encargos e impostos.
O proprietário de uma lavação de carros em Urussanga, Jucemar Machetti, é um deles. “Alguns colegas e eu trabalhamos na legalidade, enquanto que outros não. Eu pago cerca de R$ 500,00 por mês de impostos. Assim, se torna fácil para quem está irregular”, desabafa. Machetti está no ramo há quatro anos e, nos momentos de maior indignação, já pensou até mesmo em dar baixa na empresa e trabalhar de forma “fria”. “Se eu fui obrigado a trabalhar registrado, porque isso não acontece com os outros?”, questiona.
Em função dos custos mensais, considerados altos para quem tem um pequeno negócio, muitos micro-empresários não conseguem conquistar seus clientes com valores mais acessíveis. “Algumas pessoas reclamam para mim que em outros lugares conseguem comprar mais barato”, afirma Rosemar Sebastião, o Taliano, que possui uma barraca de produtos coloniais.
Ele está no ramo há 15 anos e já fez uma média de quanto paga de impostos todo mês: são cerca de R$ 500,00. “Eu tento explicar para meus clientes que não consigo baixar os preços porque trabalho de forma regular, pagando impostos, taxas, alvarás, tirando notas fiscais, mas muitas vezes eles não entendem”, analisa.
Fiscalização
A Prefeitura Municipal é quem fiscaliza os empreendimentos urussanguenses. No entanto, a fiscalização começou, efetivamente, a funcionar há pouco tempo. A colaboradora Geizi da Silva Donadel Baesso atua no setor de tributação desde outubro. Segundo ela, o departamento está trabalhando, no momento, com denúncias. Elas não precisam ser identificadas e quando se constata a sua procedência, a prefeitura dá um prazo de 30 dias para a regularização. “Em casos realmente extremos, o poder público tem, inclusive, o poder de fechar o estabelecimento”, explica Geizi.
De acordo com o chefe do setor, José Vitório Coan, o processo de regularização pode ser considerado lento, porque há muitas pessoas que trabalharam a vida inteira na informalidade. Nesse sentido, o departamento busca a orientação e conscientização desses trabalhadores. Para ele, há uma questão muito importante a ser discutida. “Quem trabalha de forma regular não pode e não deve ‘emprestar’ notas fiscais a quem não tem registro. Isso faz com que os informais continuem informais”, observa.

