O jornalismo de Licio Silva
mar 28th, 2008 | por Jornal Vanguarda | Categoria: CulturaFalar de história é fácil. Difícil mesmo é fazer parte dela. Ajudar a construí-la, então,
é tarefa para poucos. A imprensa surgiu com a finalidade de divulgar e noticiar diferentes informações que acontecem no nosso dia-a-dia. Apurar fatos, ir atrás das matérias, enfrentar pessoas e perigos. Como qualquer outra coisa, os veículos de comunicação também sofreram modificações e têm uma grande história a ser contada. Licio Silva, jornalista formado, é uma das pessoas que falam sobre o jornalismo, fizeram parte de sua história e, acima de tudo, ajudaram a construí-lo.
A entrevista com Licio, à princípio, seria como tantas outras. Objetiva, curta e precisa. Mas com o passar do tempo, vimos que tínhamos muito que aprender com o homem que é a “memória viva da imprensa brasileira”. Falar sobre o jornalismo da década de 50 deixou-nos curiosos e impressionados com as mudanças ocorridas na área.
Licio iniciou a carreira profissional na Rádio Farroupinha, em Porto Alegre, em julho de 1948. “Naquela época, os radialistas eram escolhidos pela voz e não pelo intelecto. Quando fiz o teste para a rádio, não tinha experiência nenhuma e havia 10 candidatos para duas vagas. Não sei como consegui”, diz Licio. No ano seguinte ingressou na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC) e se formou em 1953, no curso de jornalismo.
Ao longo da carreira, o profissional atuou em diversas emissoras do sul do país e em São Paulo. Apresentou comícios de políticos influentes, tais como Marechal Teixeira Lott, Brigadeiro Eduardo Gomes, Jânio Quadros, Leonel Brizola, Nereu Ramos e Jorge Lacerda. Segundo ele, uma das entrevistas mais marcantes de sua vida foi com o Primeiro Ministro da Itália, no aeroporto Salgado Filho, em Florianópolis. “Fazia pouco tempo que estava trabalhando no rádio, fui com a cara e a coragem”, afirma. “Uma outra entrevista que nunca vou esquecer foi a que fiz com Jânio Quadros. Entre uma pergunta e outra ele largou a famosa frase ‘eu fi-lo porque qui-lo”, relembra.
Licio escreveu duas rádionovelas, criou um programa humorístico nomeado “Teje preso”, trabalhou no rádio, em jornais impressos e televisão. Foi ele quem fez o primeiro pedido de uma concessão televisiva para Criciúma, em nome do Jornal Ouro Negro, no ano de 1973. Concorrendo com a Eldorado, TV Cultura e TV Bandeirantes, infelizmente, não foi contemplado com a concessão, outorgada à Eldorado.
Conforme Licio, anterior ao computador, as máquinas de escrever eram as responsáveis pela escrita dos jornais impressos. “Trabalhei com a Continental, uma máquina bem antiga. Depois veio a Olivetti que, para a época, era muito moderna. Antecedendo esses dois modelos, nós tínhamos os clichês, que eram letrinhas de chumbo. Colocadas uma a uma, lado a lado, as palavras iam surgindo, até completar toda a folha do jornal, feita, primeiramente, em uma placa de chumbo. Depois disso, era só mandar para a gráfica”.
Atualmente, com 82 anos, dos quais 60 foram dedicados à comunicação social, o jornalista trabalha na Rádio Difusora, em Içara, na Rádio Marconi, em Urussanga e no canal 19, em Criciúma.
Licio Silva é exemplo para quem gosta de jornalismo e pretende seguir a profissão. Conversar sobre comunicação social com um profissional que possui um vasto currículo na área é gratificante e engrandecedor. Saber do passado, falar de mudanças, conhecer significados e origens. Isso é pouco quando o assunto é tratado com o contador de histórias –reais- Lício Silva.


Tenho muito orgulho de saber que meu avô é pioneiro no rádio, e pela graça de Deus hoje estou podendo seguir seus passos, com um programa de música gospel na 89,3 FM de Imbituba-SC.