adão de deus
nov 29th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: CulturaADÃO BETTIOL: DA FÉ UMA OPÇÃO DE VIDA
Olhos azuis e uma longa barba branca. Por vezes confundido com o Papai-Noel, Adão Bettiol é uma das figuras mais ilustres e conhecidas em Urussanga. Completou 84 anos na terça-feira, dia 27 de novembro, e lembra, com detalhes, de momentos e histórias que marcaram sua vida.
Filho de Ernesto Bettiol e Angélica Colodel, nasceu no ano de 1923 e sempre viveu na Benedetta. Teve quatro irmãos: Adélia, Olinda, Ester e Armando. Casou-se aos 35 anos, em 8 de dezembro de 1958, com Ana Alaíde Guedert Albino Pereira, com a qual teve três filhos: Maria Angélica, José Maria e Maria da Conceição.
Aos seis anos, começou a trabalhar na ferraria de seu pai. Acordava de madrugada, ajudava até as sete horas, se lavava e ia para a escola. Ao meio-dia voltava a trabalhar e só parava quando ia dormir. Freqüentou a Escola Tibúrcio de Freitas até a quarta série. Não estudou mais porque já sabia ler, escrever e conhecia as quatro operações. “Meu pai dizia que eu não ia ser advogado nem deputado, por isso não precisava mais estudar”, diz Bettiol.
Serviu o exército e morou em Florianópolis durante dois anos. Foi o escolhido, entre 387 homens, para ser segurança oficial do Major Epaminondas Chagas dos Santos. Quando a guerra acabou, voltou para Urussanga e continuou a trabalhar na ferraria do pai.
Por 23 anos foi “Guarda-Fios”. Vigiava as redes de telégrafos e correios que iam de Urussanga até Pedras Grandes, Urussanga a Morro da Fumaça, Urussanga até Criciúma e, a última, de Urussanga a Treviso e Siderópolis. Bettiol saía cedo de casa e caminhava até chegar à outra cidade. Cansado, andava pela mata e, muitas vezes, só chegava ao destino na madrugada do dia seguinte.
O senhor, que transmite muita calma e serenidade no olhar, lembra de algumas histórias engraçadas que viveu e presenciou. Uma delas foi um velório de um homem no qual ele rezava. A mulher e a amante estavam dispostas ao lado do caixão, na hora de enterrar o defunto, a amante começou a chorar. Prontamente, Bettiol jogou muita água benta sobre ela, para livrar-lhe do “pecado do adultério”.
Outro fato foi de quando ganhou seu primeiro par de sapatos, aos oito anos. O pequeno Adão iria receber o sacramento da Eucaristia e, assim como as demais crianças, não podia estar descalço. Após a celebração, tirou o calçado e jogou longe. Perguntado sobre o porquê desse gesto, Bettiol respondeu que estava machucando os pés. Para colocar um outro sapato demorou muito tempo.
Desde criança, sempre se dedicou inteiramente à Igreja. Com oito anos já era coroinha, ajudava a bater os sinos, auxiliava o Paraíso da Criança quando era preciso. Na juventude, ía até três vezes por dia nas missas e há muito tempo, Bettiol não lembra quanto, reza os funerais dos urussanguenses.
Algumas vezes, os familiares da pessoa falecida vão até a casa de Adão pedir-lhe que compareça ao velório. Ele benze, ora, acompanha o caixão até o túmulo. Nunca ganhou nada de ninguém para fazê-lo, vai até o funeral por que acredita que são nessas horas que as pessoas mais precisam de ajuda.
Bettiol diz que aconselha os familiares a chorarem muito, o máximo que puderem. “É a última vez que vão ver aquele corpo. Pode ser a mãe, o filho ou o esposo que está ali. Tem que chorar mesmo”, afirma. Quanto ao falecimentos de amigos próximos ou familiares, como o da esposa, há quase seis anos, o senhor diz que não consegue rezar. “Não tenho coragem, eu me afasto e deixo na mão dos outros. A dor é muito forte”, enfatiza.
Sempre morou em Urussanga e afirma que daqui não sai. Ele diz que a cidade mudou muito nos últimos anos. O Parque Municipal era uma colônia, com muitos pés de laranjas e frutas diversas. O Rio Urussanga era limpo e cheio. Quando jovem, em um único dia, chegou a tomar 14 banhos nas águas que fluíam entre a Benedetta.
As crianças andavam descalças, embaixo de sol e chuva. Quando geava, os pés chegavam a ficar dormentes de tanto frio. Os peixes pulavam no rio enquanto os jovens e adultos se banhavam. A diversidade de animais encontrados era infinitivamente maior do que hoje.
“Antigamente era muito melhor. No tempo em que eu andava descalço eu era feliz. Hoje não se escuta mais uma cigarra. O som que elas proporcionam é de uma harmonia celestial. O rio não dá mais peixe, é difícil encontrar pés de laranjeira como existiam no parque. As bergamotas eram grandes e os galhos ficavam todos espalhados, de tantas frutas que tinham”, lembra.
Quando fala sobre a juventude de sua época e a de hoje, Adão nem pensa antes de responder: “Não há maior felicidade para os pais do que quando vêem os filhos indo por um bom caminho. Hoje, eles não respeitam mais. Falar palavrão é tão fácil como chupar uma laranja. Não sei dizer qual a diferença, de tão diferente que é”.



a istoria de adâo è a istoria que entra para a istoria,jamais tera outra
nen paresida DEUS TEDARA EM DOBRO O BEM , UMA RECOMPENSA.
NÂO TEM PALAVRAS PARA AGRADECER A ADÃO… DEUS TE PROTEJA.um abraso de WG.