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Paixão pelo Esporte

jul 27th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Esportes

Homem emotivo, barba e cabelos grisalhos. Os olhos fixos no treino de vôlei no Ginásiomurilo Municipal demonstram o amor que sente pelo trabalho. Murilo João Nesi é professor de Educação Física há 32 anos e cinco meses e sempre foi apaixonado por esportes e atividades físicas.

Aluno da segunda turma da Fucre (atual Unesc) se formou no ano 1977 e a partir daí não parou mais de dar aulas. Começou a lecionar em 1975 no Colégio Rainha do Mundo e no Colégio Senecista, em Santana, quando ainda cursava a faculdade. Sempre trabalhou muito para poder continuar os estudos e realizar o maior sonho: ensinar o prazer de praticar algum esporte.

Durante sete anos, trabalhou na escola do Rio América, e em agosto de 1985, foi removido para a Escola Caetano Bez Batti, onde trabalha até hoje. Foi técnico de vôlei masculino da Comissão Municipal de Esportes (CME) em 1983 para as classificatórias dos jogos abertos, que aconteceram em Caçador e em 1999, quando a equipe urussanguense ficou em segundo lugar, e não participou da fase estadual. Em março desse ano, novamente retornou à CME, agora treinando as equipes femininas e masculinas.

Nesi diz que o mais importante para que um atleta consiga a vitória, é a disciplina. Se o aluno não obedece e não ouve o técnico, dificilmente vai vencer. Com um jeito único de treinar, já conquistou muitas medalhas com seus times. Não consegue ficar sentado e quieto, tem que gritar para entusiasmar e motivar os jogadores. “Minha vontade é entrar na quadra e jogar com eles, mas não posso”, brinca.

Os olhos se enchem de lágrimas quando conta como foi o início de tudo. A emoção toma conta do professor, que relembra todos os momentos. Estudava no terceiro ano do ensino médio e já tinha certeza de que queria cursar Educação Física. As freiras do colégio diziam para o jovem Murilo cursar Física, que era melhor para ele. Mas o aluno, convicto do que queria, não seguiu o conselho.

Na época, havia pouquíssimos professores de educação física na cidade. Os que lecionavam nessa disciplina, ensinavam mais de uma matéria, assim como o seu professor, Braz Rodrigues. Ele dava aulas de Matemática e Educação Física, e em certo momento, se afastou para fazer um curso de um mês.

As freiras, desesperadas, não sabiam o que fazer, então, Rodrigues indicou o aluno Murilo para que desse aula em seu lugar. O jovem estava apto para a função, e durante o período de um mês, foi aluno e professor ao mesmo tempo. Isso só serviu para que Nesi percebesse e tivesse a certeza de que essa era mesmo a profissão que seguiria.

Depois disso, veio a faculdade. Quantas vezes acordava às quatro horas da manhã para pegar o ônibus e ir para Criciúma. Como a estrutura da faculdade não era tão boa quanto a de hoje, os alunos se deslocavam para o Marista, Comerciário ou Vila Olímpica, para poder fazer as atividades propostas.

O pior era cair na piscina. Nesi sofreu um trauma na infância, e quase se afogou. Tinha medo de água, quando ia nadar e chegava na parte mais funda, se desesperava, o medo batia e saia da piscina. Os alunos nadavam nos meses de junho e julho, o frio era intenso, mas mesmo assim, eram obrigados a praticar o exercício.

Em meio a lágrimas e risadas, histórias são lembradas e boas recordações reaparecem. O professor, que muita gente pensa ser “estourado e nervosinho”, é bastante emotivo. Pretende se aposentar logo, diz que já cansou. Os alunos têm muita energia, correm, pulam, se movimentam muito.

Durante esses 32 anos, uma história de bons momentos e muitas vitórias foi inventada. E hoje, ela é contada com muito orgulho por seu criador. Murilo João Nesi, um nome que vai ficar marcado por alunos de diferentes gerações.

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