Empreendedorismo agrícola
jul 27th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: RuralO Brasil deve grande parte de sua prosperidade ao agricultor. Por esta razão, nada
mais justo que se parabenize todos os trabalhadores rurais pela passagem do Dia do Agricultor, neste sábado, dia 28 de julho. Em Urussanga, município de forte tradição agrícola, devido à colonização italiana, 16% da economia provém do setor. A atividade exige comprometimento e, acima de tudo, conhecimento.
O agricultor Olívio Soratto, da localidade de Linha Rio Maior, em Urussanga, é um exemplo de trabalhador rural bem sucedido, que conseguiu criar a família com os recursos da lavoura. Há 25 anos, ele cultiva verduras e hortaliças, como alface, rúcula, agrião, beterraba, cenoura, couve-flor, batata doce, aipim, radiche e espinafre.
São cerca de três hectares de horta, onde trabalham Soratto e a esposa Henrica. “Fiz a minha vida com essa lavoura”, conta o agricultor, que começou como mineiro, para depois tornar-se produtor. Por semana, Soratto comercializa mil pés de alface, para mercados de Urussanga, Lauro Müller, Cocal do Sul e Criciúma. Além das pessoas que vão comprar na porta de sua residência. “Aos domingos, chega a fazer fila de carro na frente da minha casa”, afirma.
Soratto não tem medo de afirmar que, no município, não há ninguém que produza como ele. “Tem que conquistar os clientes e eu já trabalho com isso há 25 anos”, reforça. Para o agricultor, é preciso escolher um ramo de atividade e se concentrar nele. A rotina de Soratto começa todos os fins de tarde quando colhe os pés que serão comercializados. No dia seguinte, por volta das 7 horas, ele vai para o Centro de Urussanga entregar a produção nos mercados e supermercados. “Já cheguei a colher sete mil pés de alface num só dia”, revela.
O agricultor faz as próprias mudas, com as sementes que adquire em Porto Alegre, a cada seis meses. A produção de verduras e hortaliças não exige cuidados extremos, como outras culturas. Agrotóxicos não são utilizados pelo produtor, a não ser no cultivo da batata, mas é preciso investir em estrutura para produzir. “Só o sistema de irrigação custa uns R$ 20 mil”, explica Soratto. Além disso, é necessário dispor de máquinas e equipamentos agrícolas.
Aos 48 anos, o trabalhador rural pretende se aposentar dentro de uns três ou quatro anos. “Com a lavoura dá para viver tranqüilo, mas precisa trabalhar muito”, explica. Natural de Azambuja e filho de agricultores italianos, Olívio Soratto aprendeu a viver da terra, faça chuva ou faça sol e com as mãos sujas e calejadas, como ele mesmo faz questão de mostrar. Aprendeu a valorizar a profissão que, todos os dias, rende uma alimentação saudável à comunidade da região.
Fortalecimento
O secretário de Agricultura de Urussanga, Eduardo Zapeline, reconhece o homem do campo pela sua luta e força de vontade para desenvolver a atividade. Para ele, o associativismo no meio rural é uma excelente opção para o fortalecimento do setor. “Os agricultores devem estar unidos para o desenvolvimento das suas atividades e, assim, poderem competir com as grandes empresas”, destaca.

