O que esperar?
jun 28th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: EditorialAs drogas não escolhem faixa etária, classe social, cultura, inteligência ou beleza. Apesar de alguns perfis considerados mais comuns, elas fazem parte do cotidiano de qualquer pessoa. Há casos de usuários que são realmente difíceis de acreditar.
O que esperar de um belíssimo jovem, que iniciou uma carreira de modelo, e tem muitas chances de ingressar na profissão? O que esperar de um homem com uma impressionante inteligência e lucidez, que realizou três faculdades, pós-graduação e mestrado? O que esperar de um senhor de 68 anos?
Bom, é possível esperar muita coisa. Mas, as últimas que vêm à cabeça são a dependência química, a dependência do álcool e a dependência de crack, nessa mesma ordem, porém não na mesma importância. Importância essa medida pelo sofrimento da família, que luta diariamente contra o vício de seus familiares.
Medida pela mãe triste ao ver o filho já debilitado. Medida pela mulher que não encontra mais forças para encarar o marido alcoólatra. Medida pelos filhos e amigos que sofrem socialmente por serem tão próximos de alguém cuja dependência é maior que a vontade de viver.
Urussanga ainda é uma cidade em que os índices de consumo e/ou tráfico são pequenos, comparados a outras regiões. Normalmente, há quem venha de outras cidades para fazer esse intermédio. Mas o álcool, presente em praticamente todos os lares, ainda é o grande vilão, a porta de entrada para o mundo das drogas ilícitas, além de proporcionar a violência familiar e social.
Aos pais, é preciso atenção sobre o comportamento dos filhos. Aos amigos, é necessário separar o joio do trigo, quando estes já não estiverem totalmente misturados. A grande maioria dos dependentes de álcool ou drogas começa com a influência do grupo social em que vive. Por isso, o trabalho de prevenção e conscientização dos jovens é tão importante.
Sabe-se que o trabalho é difícil àqueles que não desfrutaram da menor estrutura familiar, cujas palavras amor, respeito, educação, cidadania, solidariedade e responsabilidade, por exemplo, não fazem parte do vocabulário. Contudo, desenvolvendo ações sociais, dentro das próprias escolas, é possível preparar as crianças, futuros jovens, a dizerem não a um mundo que, na maioria das vezes, não oportuniza o retorno.

