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Patrocinadores oficiais

mai 18th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Editorial

É comum à imprensa ouvir de alguns segmentos da sociedade que o poder público ou os grandes empresários são os patrocinadores oficiais dos meios de comunicação. Sendo assim, a linha editorial dos jornais fica comprometida devido à venda de espaços publicitários. Argumentação até certo ponto correta, considerando a atuação da grande mídia nos dias de hoje. Mas ela precisa de algumas reflexões.

O Jornal Vanguarda, por exemplo, tem como renda anúncios, assinaturas e publicações legais da Prefeitura Municipal de Urussanga (o veículo é, por decreto, Diário Oficial do Município). Aqui, a maior parte da comunidade não pode ser considerada leitora assídua de jornais - reflexo do modelo educacional brasileiro, que pulou a fase da leitura e dos livros direto à cultura da imagem, com a introdução da televisão na década de 50.

Desse modo, a maior porcentagem da renda é proveniente dos anúncios publicitários. Em um mercado escasso, no qual a dificuldade financeira é realidade de muitos comerciantes, fica praticamente impossível ao veículo de comunicação recusar ou escolher seus clientes. Abre-se igual espaço para todos. Sendo assim, torna-se muito claro perceber que a imprensa é patrocinada pelo poder público e pelo empresariado forte.

O grande problema ocorre quando o proprietário do veículo não consegue fazer uma divisão sensata entre a ideologia do jornal, a função a que o veículo se propõe, e seu departamento comercial. Quando um cliente compra um espaço publicitário, deve ficar subentendido que está comercializando suas idéias, não as idéias do jornal; está divulgando sua atividade, não interferindo na linha editorial do veículo.

Do mesmo modo, os leitores – assíduos ou não – deveriam ter a sensibilidade de perceber quando há unificação do comercial com o editorial na imprensa, quando o jornal deixa de ser aliado da comunidade para se dedicar exclusivamente àqueles têm poder político e/ou econômico (afinal, quem tem um normalmente tem os dois).
Em síntese, são válidas as críticas a esse modelo de patrocínio oficial, mas por outro lado é preciso entender que, nas condições atuais, sem ele, os jornais, principalmente os de municípios interioranos como Urussanga, não teriam condições financeiras de sobreviver. A não ser que, do dia para a noite, a comunidade deixasse a comodidade de assistir exclusivamente à televisão e passasse a desempenhar um papel mais crítico, praticando a leitura dos veículos de comunicação de seu município.

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