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Depressão: um mal que se alastra

mar 9th, 2007 | por Jornal Vanguarda | Categoria: Beatriz Mondardo, Colunistas

Do ponto de vista epidemiológico, os dados sobre a depressão são preocupantes. A Organização Mundial de Saúde, estima que a depressão seja atualmente a doença psiquiátrica mais diagnosticada, é o quarto maior problema de saúde do Ocidente, é também a segunda maior causa de invalidez, perdendo só para os problemas cardíacos. A doença chamada de distúrbio depressivo maior caracteriza-se por pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda de interesse pelas atividades, acompanhada de desesperança, culpa, desamparo, assim como alterações de apetite e sono, lentidão ou agitação motora, diminuição do desempenho sexual, dificuldade de concentração e raciocínio e em casos mais extremos pensamentos recorrentes sobre a morte.

A depressão é mais incidente nas mulheres, tornando-se ainda mais freqüente no período pós-parto e se tem antecedentes na família (parentes de primeiro grau). A depressão atinge três vezes mais o sexo feminino que o masculino. Mas temos que diferenciar o termo depressão quando usado na linguagem comum, que indica um estado de tristeza e desânimo de uma pessoa resultante de um acontecimento desagradável, decepção ou luto, da linguagem psiquiátrica que caracteriza um quadro clínico chamado distúrbio depressivo maior, caracterizado por sintomas biológicos e psíquicos. Um indivíduo deprimido experimenta com angústia e desespero o lado negativo da vida. Geralmente está experiência trás sofrimentos tão intensos que dificilmente podem ser imaginados por quem não os sentiu. Embora a perda de energia e vitalidade, as sensações de confusão, a dificuldade de se concentrar, de fazer escolhas, de trabalhar de amar possam variar de um indivíduo para outro são constantes neste quadro.

O medicamento antidepressivo se transformou negativamente numa pílula mágica, na alternativa de cura, pois a mesma medicação antidepressiva que é ministrada para indivíduos que apresentam distúrbios graves de depressão também são ministradas a essas pessoas que apenas enfrentam uma depressão (linguagem popular), momento de tristeza provocada por imprevistos, tragédias ou infortúnios. Para os casos de distúrbio depressivo maior (a doença), além do uso de medicamentos, que são indispensáveis, mas ao mesmo tempo insuficientes, atividades físicas são cada vez mais vistas como complemento ao tratamento. Durante a prática de exercício físico, existe a liberação de substâncias (endorfina) que provocam a sensação de bem-estar, aliviando os efeitos da depressão, alem do fato de estar fazendo alguma coisa que gosta, olhar por si, desacelerar, vai ajudar na amenização do quadro clínico. A yoga , a meditação, os alongamentos  têm sido amplamente recomendadas principalmente no sentido desacelerar, deixar o paciente mais relaxado.

Fonte: VIVER-Mente & Cérebro, Revista de Psicologia, Psicanálise, Neurociências e Conhecimento,ANO XIV Nº 160.

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